# O mundo dos concursos #

Compartilho com vocês este interessante artigo do Prof. José Wilson Granjeiro.

Por José Wilson Granjeiro

Até 2015, cerca de 85% dos atuais servidores irão aposentar-se e três em cada cinco jovens desejam trabalhar para o governo. Entre 1992 e 2004, o servidor público recebeu remuneração, em média, 264% superior a um funcionário da iniciativa privada, sofrendo as mesmas exigências, segundo pesquisas do IBGE, que constatou, também, que no DF o servidor ganha 400% a mais que o seu colega da iniciativa privada. Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas preparam-se regularmente para concursos públicos em todo o País. Somente no DF, são aproximadamente 200 mil concurseiros.

Do número total de concursandos, apenas 10% encontram-se em salas de aulas de escolas preparatórias e de todos os inscritos apenas 10% são competitivos e têm alguma chance de disputar as vagas aferecidas nos certames. O Governo Federal planeja preencher 49 mil cargos somente este ano pela via do concurso público. Estima-se que, nas três esferas de governo, são 100 mil vagas a serem ofertadas em 2007. Com todos esses dados oficiais, é difícil não querer ter o governo como patrão.

Além desses excelentes motivos para se dedicar e investir em uma carreira pública, há inúmeras outras razões. Vejamos: a grande maioria dos órgãos está sem fazer concurso há mais de 15 anos. Isso significa que existe uma demanda por novos profissionais que venham somar à estrutura da máquina estatal de maneira extremamente positiva. Todos os dias, servidores aposentam-se, morrem, são demitidos, solicitam exoneração dos seus cargos. Novos órgãos e entidades são criados, e a demanda por serviços públicos de qualidade e eficientes aumenta. Em 2015, seremos certamente mais de 200 milhões de brasileiros que demandarão serviços de segurança pública, educação, saúde, entre outros.

Tenho observado que é cada vez mais prematura a chegada de jovens a salas de aulas de nossas escolas. Jovens com 16 anos já estão se preparando para concursos públicos antes mesmo da preparação para os vestibulares. Filhos de pais servidores, esses jovens preferem primeiro arrumar emprego com segurança, estabilidade e outros benefícios, para, depois, buscarem a formação acadêmica para crescimento profissional ou na carreira pública que precocemente escolheram.

Uma das grandes vitórias para o cidadão brasileiro foi o ingresso em cargo ou emprego público por concurso público com validade de até dois anos, prorrogável uma única vez por igual período, consagrado pela Constituição Federal de 1988. Uma forma isonômica, em que não há “cartas marcadas”, o modo mais democrático para se conseguir um emprego com estabilidade, sem depender dos famosos “pistolões”. Sem precisar de favores políticos; sem a exigência de experiência ou discriminação quanto ao sexo, nível financeiro, raça. Todo e qualquer cidadão de nosso País pode alcançar uma vaga no serviço público.

Disciplina, perseverança e esforço são as qualidades necessárias para passar em uma seleção. Todo mundo pode ser aprovado em um concurso público. Depende apenas de amadurecimento, treino e de uma boa orientação. Costumo afirmar, também, que humildade para receber orientação de uma pessoa mais experiente pode contar muitos pontos na hora de conseguir sua vaga.

Para agarrar alguns dos melhores cargos públicos disponíveis, é preciso estudar muiiittto. Hoje afirmo que é mais fácil ganhar na loteria que passar em um concurso sem se dedicar profissionalmente aos estudos. Os candidatos vão atrás das carreiras de elite e esforçam-se muito para chegar aos seus objetivos. Quem entra querendo contar apenas com a sorte e vai somente para “chutar” nas provas de concursos públicos fica longe de alcançar a vitória e conquistar uma vaga.

Atualmente, a remuneração de um cargo da magistratura pode chegar a R$ 21 mil e requer um investimento relativamente barato, se avaliar que, com o primeiro salário, pode-se cobrir todos os gastos. Além do valor da remuneração, outro incentivo é o número de vagas ofertadas. Em apenas um concurso, podem-se preencher mais de quatro mil cargos.

Estabilidade; aposentadoria integral e especial para certos cargos; direito à disponibilidade remunerada (proporcional ao tempo de serviço); auxílios alimentação, moradia, creche; bolsa de estudo; horário especial para estudo; licença para capacitação; afastamento para estudo no exterior; crescimento na carreira com promoções; gratificações por desempenho e por exercício do cargo de chefia; “status”; poder; boa rede de relacionamento e contato; excelente ambiente de trabalho; localização privilegiada; sentimento de vitória pessoal; no GDF – licença prêmio, anuênio e gratificação natalícia; possibilidade de editar obras e dar aulas no Obcursos são alguns dos benefícios de se ter o governo como patrão.

A Administração Pública moderna e a sociedade brasileira exigem dos atuais servidores públicos uma conduta ética e proba. Foi-se, então, o barnabé apegado aos rituais, normas e regulamentos. Entra o servidor do público: eficiente, atualizado, solícito, assíduo, pontual, responsável, leal à instituição e ás leis, que atende o cidadão-cliente com urbanidade, presteza e cortesia. O candidato pode fazer do serviço público um meio ou um fim. Um fim, no sentido de ficar na carreira até sua aposentadoria, ou tê-lo como meio para fazer um “pé- de-meia”.

Caso em que me incluo. Fiz oito concursos públicos, fui reprovado no primeiro – para o qual eu estava mais bem preparado – por conta da ansiedade e da obrigação de passar. Após vencer esses inimigos, obtive êxito, inclusive alcançando o primeiro lugar 17 anos como servidor, na maioria do tempo acumulando legalmente dois cargos públicos – um Federal (técnico) e outro Distrital (professor) –, o que me permitiu criar patrimônio suficiente para investir no e transformá-lo no maior e melhor curso preparatório para concurso do País e eleito, em 2006 e 2007, o melhor curso preparatório do mundo.

 

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